Visita guiada à Exposição Acaso Indeterminado Almir Mavignier com Magnólia Costa

A exposição “almir mavignier — acaso determinado, a partir da leitura crítica de Luiz Armando Bagolin, apresenta um percurso em que arte, percepção e existência se encontram. A mostra parte da experiência decisiva do ateliê de pintura criado em 1946 no Centro Psiquiátrico Nacional de Engenho de Dentro, a partir do encontro entre Almir Mavignier e Nise da Silveira. Ali, a pintura surgia como espaço de acolhimento, expressão e reorganização interior para artistas como Emygdio de Barros, Raphael Domingues, Carlos Pertuis, Fernando Diniz e Isaac Liberato.

Esse núcleo inicial revela uma dimensão essencial da exposição: a arte como necessidade vital. No ateliê, Mavignier atuava sem interferir na forma dos trabalhos, respeitando a força própria de cada imagem. As obras produzidas naquele contexto não nasciam de um programa estético prévio, mas de uma urgência interna, de uma ordem construída pelo próprio gesto de ver, sentir e pintar.

Ao lado dessas obras, a exposição acompanha a trajetória de Mavignier rumo à construção de uma linguagem rigorosa e investigativa. Sua passagem pela Europa, especialmente pela Escola de Ulm, aprofundou sua pesquisa sobre cor, retícula, repetição, sistema e percepção. Nas pinturas de pontos, nas permutações, nos cartazes e nas séries posteriores, o artista transforma a imagem em um campo de experimentação visual, onde pequenas variações produzem movimento, vibração e surpresa.

A mostra aproxima, assim, dois caminhos distintos: de um lado, a imagem que nasce de uma experiência subjetiva intensa; de outro, a imagem construída por meio de sistemas racionais, cálculo, método e variação. O que une esses dois universos não é uma semelhança formal simples, mas uma pergunta comum: como uma imagem ganha força própria, para além da vontade direta de seu autor?

Entre o ateliê e a espiral, entre a intuição e o sistema, entre o gesto e a regra, a exposição revela a arte como forma de conhecimento e como modo de existência. Como afirmou Mavignier, “a arte é uma solução para existir” — e é justamente essa dimensão vital que atravessa toda a mostra.

Texto elaborado a partir do ensaio crítico de Luiz Armando Bagolin.

Visitação: 26/06

Classificação indicativa: livre

Entrada: gratuita

Local: Rua Amauri, 73 – São Paulo – SP

 

Sobre o artista:

Almir Mavignier (1925-2018) foi um artista visual brasileiro de projeção internacional, reconhecido por sua contribuição à arte concreta e por sua atuação na pintura e no design gráfico. Sua trajetória artística tem início na década de 1940, no Rio de Janeiro, quando também participa de experiências inovadoras ao lado da psiquiatra Nise da Silveira, colaborando com práticas que integravam arte e saúde mental. Transitou de uma produção inicial figurativa para investigações voltadas à abstração, influenciado pelas ideias que valorizavam a percepção visual e a autonomia da forma, o que o ligou ao núcleo inicial da arte abstrata no Brasil. Na década de 1950, segue para a Europa, onde aprofunda sua pesquisa artística em Paris e, posteriormente, na Alemanha. Sua passagem pela Escola de Ulm é decisiva para o desenvolvimento de uma obra orientada por princípios construtivos, marcada pelo rigor formal, pela organização geométrica e pela exploração das relações cromáticas. Radicado na Alemanha, Mavignier desenvolveu uma carreira consistente no circuito internacional, participando de exposições como a Documenta de Kassel e a Bienal de Veneza, além de integrar o Grupo Zero, associado a experimentações visuais e à arte cinética. Paralelamente à prática artística, desenvolveu uma importante atuação como designer gráfico e professor, lecionando por décadas em Hamburgo.

Esta programação faz parte do pilar Expressões Culturais, com patrocínio do Banco Daycoval, apoio da CSN, Banco Safra, White Martins, Banco Rendimento, Grupo GR, Haganá, Enercore e CBF Rolamentos, e realização do Ministério da Cultura e Unibes Cultural por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet).

*Empresas e pessoas físicas podem apoiar a arte, a cultura e a inclusão. Entre em contato conosco e doe para a Unibes Cultural – (11) 97614-9193. Você também pode contribuir com o Unibes Bazar doando roupas, utensílios e outros itens.

Programação

  • 26 de junho
    16h00 às 17h00

Local

Rua Amauri, 73 - São Paulo - SP 01448-000

de 24 de maio das 10h00 até 19 de julho às 19h00

almir mavignier - docugrafias: pinturas digitais

de 02 de junho das 14h00 até 18 de agosto às 21h00

Curso Empreendedoras da Beleza

de 04 de julho à 05 de julho

confira as sessões

Festival Mercado do Bem - Edição de 7 Anos

de 04 de julho à 05 de julho

confira as sessões

Mercado do Bem oferece workshop de cerâmica como experiência criativa e sensorial

16 de julho às 19h00

Palestra Escrita: Do Signo ao Livro com Olivio Guedes

16 de julho às 20h00

Movimento Violão Novos Rumos 2026 - Paulo Martelli apresenta Jessica Messias e Tomás Moura

18 de julho às 15h00

Café ComPartilha Giroagroecologicosp - Cultura Caiçara

18 de julho às 20h00

Concerto Amor et Dolor Com Aymeé Wentz, Ivy Szot, Alexandre Ribeiro e Bruno Inácio

28 de julho às 19h00

Experiência Literária: O Caso do Médico Alemão Com Tsuriel Sdomi

08 de agosto às 19h30

Show Noite Adentro com Grupo Luarim