Por Chirles de Oliveira

Em meio às celebrações do Dia Internacional da Mulher, em 8 de março, e do Dia Internacional da Felicidade, em 20 de março, somos convidados a uma reflexão mais profunda sobre a intrincada conexão entre o universo feminino e a felicidade genuína, aquela que transcende as superficialidades impostas. A sociedade, historicamente, tem condicionado as mulheres a se encaixarem em moldes rígidos de perfeição e heroísmo, muitas vezes negligenciando suas verdadeiras essências e aspirações individuais. Mas, em um mundo repleto de cobranças, expectativas e pressões culturais, o que significa realmente buscar a felicidade de forma autêntica e sustentável?

A Tradição da Felicidade Condicionada: Uma Análise Crítica

Estudos aprofundados em psicologia revelam um paradoxo inquietante: a busca incessante pela felicidade, especialmente quando baseada em modelos prescritos culturalmente e reforçados por narrativas midiáticas, pode paradoxalmente gerar um estado de infelicidade e insatisfação crônicos. A obsessão por um ideal de felicidade frequentemente vinculado ao consumo exacerbado, ao status social elevado e ao poder, constantemente propagada pelos meios de comunicação e pelas redes sociais, criou uma verdadeira armadilha emocional. Muitas pessoas, após dedicarem anos de suas vidas à perseguição dessas metas ambicionadas, alcançam o suposto “auge” apenas para se confrontarem com um profundo vazio existencial, questionando o sentido de suas jornadas.

Um exemplo claro desse fenômeno pode ser observado em pesquisas sobre a “síndrome do impostor”, que afeta desproporcionalmente mulheres em posições de liderança. Mesmo alcançando sucesso profissional e reconhecimento público, muitas mulheres internalizam a crença de que não são merecedoras de suas conquistas, vivendo em constante medo de serem “desmascaradas” como fraudes. Essa dissonância entre a imagem externa de sucesso e a insegurança interna mina a capacidade de experimentar a verdadeira felicidade e contentamento.

A Energia Feminina e a Colaboração: Um Novo Paradigma

A energia feminina, intrinsecamente colaborativa, compassiva e nutridora, oferece uma perspectiva alternativa e enriquecedora para a compreensão da felicidade e do bem-estar. Ao contrário da ênfase na competição e na busca individual por vantagens, a verdadeira força feminina reside na capacidade de cooperação, no suporte mútuo e na construção de redes de apoio, permitindo uma conexão mais profunda e significativa com nós mesmas e com os outros. Este Dia Internacional da Mulher nos convida a celebrar e a potencializar nossa força e resiliência, transcendendo os limites impostos por estereótipos de gênero, nutrindo nossa essência individual e coletiva e promovendo um ambiente mais inclusivo, equitativo e equilibrado para todos.

Redefinindo a Felicidade: Além do Prazer Efêmero

A felicidade não deve ser confundida com a busca por prazeres efêmeros ou com a obsessão pelo sucesso material imediato. Inspirando-se nos princípios da Psicologia Positiva, podemos entender a felicidade como uma sensação duradoura de contentamento, bem-estar e florescimento pessoal, onde a vida é percebida como plena de significado, propósito e valor intrínseco. Este conceito ressoa profundamente com as ideias aristotélicas de eudaimonia, que une a satisfação pessoal à realização coletiva, enfatizando a importância de viver uma vida virtuosa e em consonância com nossos valores mais profundos.

Reflexão e Autoconhecimento: A Chave para a Autenticidade

Adotar uma perspectiva centrada no autoconhecimento profundo e na identificação de nossos valores da alma é fundamental para reconhecer o que realmente importa em nossas vidas, transcendendo as pressões externas e as expectativas sociais. Diferente do modelo falho de felicidade baseado em moldes externos e na busca incessante por aprovação alheia, essa jornada de introspecção busca criar uma vida autêntica, significativa e alinhada com nossos propósitos individuais. Compreender o que nos faz verdadeiramente felizes requer um olhar profundo e honesto sobre nossos desejos, medos, paixões e talentos, rejeitando a busca por uma vida idealizada e inalcançável e abraçando a beleza da imperfeição e da vulnerabilidade.

Caminhando Juntas: Construindo um Mundo Mais Feliz

A colaboração, a empatia e a sororidade são as chaves para a expansão da consciência coletiva e para a construção de um mundo onde a verdadeira felicidade, embasada na autenticidade, na conexão humana e nos valores universais, possa florescer livremente. Neste mês dedicado às mulheres e à felicidade, vamos nos unir em um movimento global em busca de uma sociedade que valorize a diversidade, promova a igualdade de oportunidades e incentive a realização integral das potencialidades femininas em todas as esferas da vida.

Em suma, a felicidade autêntica é uma jornada contínua e não um destino final, uma expressão viva de nossas ações e escolhas diárias, comprometidas com a verdade interior, com a justiça social e com a harmonia com o mundo ao nosso redor. As festividades de março representam uma oportunidade valiosa de celebrarmos não apenas o que somos, mas também o que podemos nos tornar, juntas, como agentes de transformação e promotoras de um futuro mais justo, equitativo e feliz para todos.

Chirles Virginia de Oliveira (@felicidade_sustentavel) é jornalista, palestrante e CEO da Virada da Felicidade.

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