O que os une não é uma mesma linguagem estética, mas um compromisso compartilhado com o diálogo, a admiração e a celebração cultural. Tendo como ponto de partida as tradições
da religião judaica, esta exposição é um encontro de perspectivas — orgulho de dentro e admiração de fora — gerando uma energia criativa maior do que a soma de suas partes. O título é intencionalmente simbólico. Matematicamente, seis mais seis é igual a doze; no entanto, dentro da tradição judaica, o número 18 carrega um significado profundo: na numerologia hebraica, o número corresponde à palavra “chai", que significa vida. A exposição propõe uma equação poética em que a colaboração, a positividade e a admiração expandem o resultado para além da lógica aritmética.
Para os artistas de origem judaica, as obras emergem de um lugar de orgulho: orgulho da herança, da memória, do ritual, da resiliência e da continuidade da identidade judaica através das gerações. Suas obras refletem narrativas pessoais e coletivas — inspiradas na tradição, na espiritualidade, nas histórias familiares e no significado em constante evolução de ser judeu no mundo contemporâneo.
Os artistas que emergem de outras tradições abordam a exposição a partir de uma perspectiva diferente, porém igualmente significativa. Suas obras são gestos de admiração pela cultura, filosofia e tradição religiosa judaica. Por meio de pesquisa, conversa e reflexão, eles se envolvem com o judaísmo não como observadores externos, mas como participantes de uma troca cultural fundamentada no respeito e na curiosidade.
Quando as comunidades se encontram com abertura, quando os artistas criam com orgulho e respeito, e quando as identidades culturais são compartilhadas, o resultado se torna algo maior. Torna-se vida, diálogo e enriquecimento mútuo.
6 + 6 = 18 não é apenas uma exposição de obras recém elaboradas; é uma celebração do encontro cultural, uma declaração de solidariedade e uma reflexão artística sobre como o respeito e a positividade podem transformar equações simples em relações vivas.
Adriana Lerner

Graduou-se em Línguas Anglo-Germânicas pela Faculdade Nacional de Filosofia do Rio de Janeiro. Estudou com Fayga Ostrower, em seu ateliê, de 1949 a 1953, e Arte e Sociologia com Hannah Levy Deinhard, na New School for Social Research, em Nova York. Tem exposto suas obras no Brasil e internacionalmente, participando de várias bienais importantes como a de São Paulo, de Veneza e de Istambul. Participou de exposições coletivas significativas como Radical Software: Women, Art & Computing 1960-1991 (Kunsthalle Wien, Viena); América Latina 1960-2013 (Fondation Cartier d’Art Contemporain, Paris) e Elles (Centre Pompidou, Paris), entre outras. Realizou exposições individuais retrospectivas como Brasil Nativo – Brasil Alienígena (MASP, São Paulo) e Maps under the Sky of Rio de Janeiro (Zachęta – Galeria Nacional de Arte, Varsóvia). Possui obras em coleções e em exibição no Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía, Madri; Tate Modern e Victoria & Albert, Londres; MoMA NY, entre outros. Entre suas publicações estão Abstracionismo Geométrico Informal: A Vanguarda Brasileira nos anos 50 (Funarte, RJ) e Rrose Sélavy mesmo (Aural, Madri).

Manuscrito, 2026
Rolo com desenho, aquarela, papel de arroz japonês tingido com folha de ouro
80 x 60 cm
Valor: sob consulta
Texto da obra:
Inspirada nos Manuscritos do Mar Morto, a obra utiliza elementos históricos e simbólicos da cultura judaica para falar de memória, exílio e escrita como testemunho. Os Manuscritos do Mar Morto são uma coleção de textos judaicos antigos encontrados entre 1947 e 1956 em cavernas próximas ao Mar Morto. Os rolos remetem diretamente à tradição judaica de preservar a memória coletiva por meio da escrita. Para um povo marcado por diásporas e deslocamentos, o texto escrito funciona como “arquivo de identidade”. A comparação entre letra hebraica antiga e máquina de escrever presentes na obra, cria um contraste entre a tradição milenar (manuscrito, caligrafia, pergaminho) e a modernidade tecnológica (tipografia mecânica), sugerindo que a transmissão cultural muda de forma, mas não desaparece.
O mapa da América Latina introduz a ideia da diáspora judaica moderna - comunidades que se estabeleceram fora do Oriente Médio, inclusive em países latino-americanos. O marido Pedro Geiger, 103 anos, realizou uma intervenção escrevendo “Mar Morto” em hebraico. Um ato de ligação entre gerações e a inscrição de uma memória pessoal dentro de uma memória histórica maior.

Nascida no Rio de Janeiro, Adriana se mudou para a Flórida, EUA, em 1998. Durante 30 anos no mundo de tecnologia e corporativo, Adriana experimentou diversas culturas, o que a ajudou a desenvolver um olhar especial para o exótico e o único. Em 2015, depois de deixar o mundo corporativo, fundou a Arrivals Gate com a missão de usar sua criatividade ao abrir fronteiras e trazer objetos artesanais para a vida moderna. Adriana cria arte em xales de cashmere feitos à mão em Kathmandu, Nepal, e ajuda a sustentar comunidades locais. Nestes últimos 10 anos seu foco foi desenvolver e curar projetos artísticos, além de desenvolver sua própria arte em que na maioria das vezes utiliza peças rejeitadas pela fábrica de cashmere para criar arte em fotografia
“Ativar nossas melhores lembranças que ficaram esquecidas e a sabedoria de manter o equilíbrio apesar da fragilidade.”

Deslembrança VII, 2026
Assemblage em metais e espelho
60 x 55 cm
Valor: R$ 9.000
Texto da obra
O agrupamento relembra memórias de infância, das casas dos avós, reuniões de família, momentos de afeto e tradições. A obra convida o espectador a refletir e buscar o passado. Desgastado, mas ainda presente. Dentre vários objetos esquecidos e marcados pelo tempo, um espelho veneziano reflete a imagem do que nunca pode ser esquecido: a imagem de quem observa a obra.

Deslembrança VIII, 2026
Assemblage em metais e espelho
60 x 55 cm
Valor: R$ 9.000
Texto da obra
O agrupamento relembra memórias de infância, das casas dos avós, reuniões de família, momentos de afeto e tradições. A obra convida o espectador a refletir e buscar o passado. Desgastado, mas ainda presente. Dentre vários objetos esquecidos e marcados pelo tempo, um espelho veneziano reflete a imagem do que nunca pode ser esquecido: a imagem de quem observa a obra.

Talit, 2026
100% cashmere
75 x 90 cm
Valor: R$ 3.000
Texto da obra:
Ao cobrir a pessoa, o Talit simboliza a proteção divina, a recordação dos mandamentos de D’us e um ambiente de reverência, promovendo a concentração e a intimidade com a fé.
O valor numérico da palavra tsitsit (franjas) é 600. Cada uma das franjas contém 8 fios e 5 nós, totalizando 613. Esse número corresponde aos 613 mandamentos contidos na Torá.
Baruch-Atá-Hashem Eloheinu Melech Ha'olam, Asher Kiddeshanu B'mitzvotav V'tzivanu L'hitatef B’tsitsit. Bendito sejas Tu, Senhor nosso D’us, Governante do universo, que nos Abençoas com mandamentos e nos ordenaste que nos agasalhássemos com eles.
Os Tsitsit foram feitos em Israel e o Talit em cashmere foi produzido à mão em Kathmandu, Nepal, por Arrivals Gate.
Audiodescrição:
Em primeiro plano, destaca-se um tecido branco de aparência macia e levemente translúcido, com textura semelhante ao cashmere. O tecido ocupa a parte superior e central da imagem, com bordas irregulares e fios soltos que indicam acabamento artesanal. Na região central, pendem várias franjas brancas — os tsitsit — formadas por fios entrelaçados e organizados em nós. As franjas descem verticalmente, com espessura irregular, revelando o trabalho manual na torção e nos nós. Algumas extremidades estão soltas, enquanto outras permanecem agrupadas.

Matzoth, 2026
Matzot remanescentes dos seders e fio de nylon
Medidas variáveis
Valor: R$ 6.000
Texto da obra:
A instalação "Matzoth" foi criada pela primeira vez com as sobras das Matzoth do histórico Seder de Pessach virtual de 2020. Era o início da pandemia e resolvi instalar as Matzoth como um móbile. Muitos duvidaram que a obra duraria uma semana. E aqui estamos em 2026 com meu mobile intacto. O conjunto ativa nossa sabedoria e resiliência, mantendo o equilíbrio apesar da fragilidade.

Artista plástica formada pela Escola Panamericana de Arte, com passagem pela Escola Paulista de Paisagismo e graduação em Relações Públicas pela FAAP. Entre 2015 e 2018, foi sócia da galeria Mezanino, experiência que antecedeu sua dedicação integral à produção artística. A pesquisa de @flaviamatalon explora o corpo em movimento e as conexões entre espaço, memória e comportamento social, inspirada por cenas cotidianas. Trabalha com desenho, aquarela, guache e nanquim.
Participou da clínica de artistas da Casa Tato (edição 9, 2023-2024), além de processos de mentoria com Kátia Salvany e acompanhamento curatorial de Júlia Demeter. Desde 2020, aprofunda-se em arte realista com Mauricio Takiguchi, tendo também estudado aquarela com Maurício Parra e desenho com Dalton de Paula. Entre suas exposições coletivas recentes estão: Ocupação Auê de Parede, no Paço das Artes (2025), Herança da Vida, na Galeria Kovak & Vieira (2025); e Acervo Rotativo, com curadoria de Laerte Ramos (2025).
“A partir de cenas cotidianas, observo gestos e posturas em contextos de passagem, evocando memórias carregadas de história. Utilizo como suporte caixas de papelão como uma metáfora para falar de deslocamentos, pesos e continuidade dessa história.”

Carregando a sabedoria, 2026
Carvão caixa de papelão
27 x 19 x 12 cm
Valor: R$ 2.400
Audiodescrição:
Imagem em formato vertical mostrando uma pequena caixa de papelão sendo segurada por uma mão no canto superior esquerdo. A superfície do papelão é marrom, com textura áspera e marcas naturais do material. Sobre essa superfície, há um desenho em tons escuros, feito com traços soltos e expressivos, que formam a figura de um homem de perfil, voltado para a esquerda. Ele usa um chapéu de abas largas e arredondadas, associado à indumentária tradicional judaica. O rosto é apenas parcialmente definido, com poucos traços sugerindo nariz e barba. A figura veste uma roupa com listras, que lembram um talit, manto ritual judaico. Os traços são gestuais, com áreas mais escuras concentradas no chapéu e no tronco, criando contraste com o fundo do papelão. À frente do corpo, há uma forma vertical escura que pode sugerir um objeto apoiado ou segurado, sem definição precisa. O fundo é neutro e pouco detalhado, mantendo o foco na figura desenhada. A iluminação é suave, evidenciando a textura do papelão e as variações de intensidade do pigmento. A obra utiliza a própria caixa de papelão como suporte, que funciona como um “contêiner do passado”, evocando deslocamento no tempo. A representação do rabino, construída de forma simples e expressiva, traz uma presença associada à sabedoria e espiritualidade, ao mesmo tempo em que a escolha do material e do traço introduz um tom de leveza e humor.

Passagem, 2026
Lápis pastel e guache sobre caixa de papelão
210 x 170 cm (conjunto)
Caixas de 50 x 70 cm profundidade variando entre 16, 8, 6 e 4 cm
Valor unitário: R$ 3.000
Conjunto: R$ 30.000
Texto da obra:
Os personagens simbolizam a passagem do tempo.
“Pessach” significa “passar”, remetendo à fuga dos judeus do Egito, quando a libertação “passou” pelas casas. A obra reflete tradições que perduram, conectando passado e presente, enquanto cada caixa nos conduz pela continuidade da memória e da história.

Amizade, 2026
Lápis pastel sobre caixa de papelão
103 x 80 cm
Valor: R$ 6.200
Texto da obra:
Num gesto de amor e amizade a continuidade é expressada. As tradições atravessam o tempo, a caixa guarda esse afeto, perpetuando memórias e histórias.

Família, 2026
Carvão e Lápis pastel sobre caixa de papelão
93 x 50 x 13 cm
Valor: R$ 7.500
Texto da obra:
Esta obra expressa a continuidade através da família. As figuras avançam através dessas caixas, carregando o passado em cada passo.

Continuidade, 2025
Lápis pastel sobre caixa de papelão
130 x 80 cm
Valor: R$ 6.200
Texto de obra:
Nessa composição, o deslocamento se faz presente em um movimento contínuo através do tempo. O ir e vir transbordam o limite da própria caixa ampliando a sensação de continuidade.

Artista plástica e designer gráfico paulistana. Sua pesquisa é fortemente influenciada pela arte de rua e pela liberdade de expressão promovida por esta. Da pintura à edição digital, as temáticas que explora orbitam ao redor do universo feminino, da comunicação com suas imperfeições, e de questões relacionadas a sua narrativa pessoal. Desde os ataques de 07/10/2023 à Israel, se dedica a investigações sobre suas raízes judaicas, através da preservação da memória, valores religiosos e registros históricos. Estudou pintura com o artista Sergio Fingermann (2017-2019); participou da clínica de artistas da Casa Tato (edição 8, 2022); fez o curso de Pintura prática com Paulo Pasta no Instituto Tomie Ohtake (2023) e participou de mentorias individuais com Tato DiLascio e Ana Kohte. Exposições coletivas incluem: Grau Zero, Galeria Tato; Constelações Sensoriais e Cartografias Visuais, Unibes Cultural; SAC Portugal, Niz Gallery; In/Out01, Galpão 556; Janelas do Olhar, Nata Art & Design; NOTSAMO25, Galeria Dezoito; Herança da Vida, Galeria Kovak & Vieira; e Todo Som é Tom, Assembleia Legislativa de São Paulo.
“Resiliência, força, coragem e fé; características tão fundamentais à nossa sobrevivência, encontram nos trabalhos dessa exposição o tempero da “chutzpá” judaica, uma ousadia autêntica e desbravada de um povo que não se curva às adversidades.”

1- Mayim Chaim, 2026
Acrílica, foil prata e colagens sobre acrílico
50 x 50 x 7 cm
Valor: R$ 10.000
Texto da obra:
Com inspiração no artista Roy Lichtenstein (EUA, 1923-1997) e no movimento da pop art norte-americana, esta série reúne elementos da história e da fé judaicas, bem como o conceito de chutzpah, que, do iídiche, significa um tipo de ousadia ou audácia - característica marcante da presença judaica, especialmente em contextos em que ela não era bem-vinda, funcionando, muitas vezes, como uma estratégia de sobrevivência.

2 - Oh My.., 2026
Acrílica, foil dourado e colagens sobre acrílico
50 x 50 cm
Valor: R$ 10.000
Texto de obra:
Com inspiração no artista Roy Lichtenstein (EUA, 1923-1997) e no movimento da pop art norte-americana, esta série reúne elementos da história e da fé judaicas, bem como o conceito de chutzpah, que, do iídiche, significa um tipo de ousadia ou audácia, muito característico da presença judaica, especialmente em contextos em que ela não era bem-vinda, funcionando como uma estratégia de sobrevivência.

3- Be the jew you wish to see in the world, 2026
Acrílica, foil dourado e colagens sobre acrílico
50 x 50 cm
Valor: R$ 10.000
Texto da obra:
Com inspiração no artista Roy Lichtenstein (EUA, 1923-1997) e no movimento da pop art norte-americana, esta série reúne elementos da história e da fé judaicas, bem como o conceito de chutzpah, que, do iídiche, significa um tipo de ousadia ou audácia, muito característico da presença judaica, especialmente em contextos em que ela não era bem-vinda, funcionando como uma estratégia de sobrevivência.

4 - In G-D we trust, 2026
Acrílica, foil cobre e colagens sobre impressão digital em papel photo rag
50 x 50 cm
Valor: R$10.000
Texto da obra:
Com inspiração no artista Roy Lichtenstein (EUA, 1923-1997) e no movimento da pop art norte-americana, esta série reúne elementos da história e da fé judaicas, bem como o conceito de chutzpah, que, do iídiche, significa um tipo de ousadia ou audácia, muito característico da presença judaica, especialmente em contextos em que ela não era bem-vinda, funcionando como uma estratégia de sobrevivência.

LOVE is always what we need, 2025
Acrílica sobre madeira
100 x 50 cm
Valor: R$ 11.000
Texto da obra:
Da música aos graffitis, Love is all you need - o amor é tudo o que você precisa; uma frase que embora tenha se tornado um “clichê”, na minha opinião é o marco zero para uma sociedade mais justa e inclusiva. Neste trabalho represento esse conceito através das múltiplas cores que se confundem, se entrelaçam e resultam em um apelo para que esse amor saia da tela e se transforme em um movimento onde exista a coexistência, a tolerância, o respeito e a aproximação entre os povos.

Neverforgetoremember, 2025
Acrílica sobre madeira
100 x 100 cm
Valor: R$ 18.000
Texto da obra:
Essa obra foi feita em livre tradução para o inglês do filme “Nunca deixe de lembrar”, que conta a história de um artista alemão na época da 2ª Guerra Mundial, que consegue escapar do regime nazista mas não dos traumas deixados por ele. A escrita em inglês carrega um duplo sentido e provoca a ilusão da declaração “Never forget to remeber” (nunca deixe de lembrar), quando na realidade está omitida a última letra T da palavra forget, provocando a frase “Never forge to remember” (nunca finja lembrar).
Audiodescrição:
Imagem em formato quadrado com fundo em tons neutros, predominantemente bege, cinza e marrom, com aparência desgastada e textura que remete a paredes antigas ou superfícies envelhecidas. Sobre esse fundo, grandes letras em caixa alta ocupam quase toda a composição, formando palavras distribuídas em linhas. As letras são largas, em tons escuros como preto e marrom, com falhas, rachaduras e irregularidades que reforçam o aspecto de desgaste. É possível ler a frase “NEVER FORGE TO REMEMBER”, embora a palavra “FORGET” apareça sem a letra “T”, criando uma ambiguidade visual e textual. As palavras estão organizadas em blocos, com espaçamento irregular e leve sobreposição em algumas áreas. A superfície apresenta marcas verticais e horizontais, como escorridos e camadas de tinta, que atravessam as letras e o fundo, integrando texto e matéria. As bordas das letras não são perfeitamente definidas, parecendo desgastadas ou parcialmente apagadas.
A obra se constrói a partir dessa tensão entre leitura e falha. A ausência da letra “T” altera o sentido da frase, criando um duplo entendimento: entre “nunca esquecer” e “nunca fingir lembrar”. Essa ambiguidade dialoga com a memória, o trauma e a dificuldade de elaboração do passado, evocando camadas de apagamento, distorção e permanência ao longo do tempo.

OR-II, 2024
Acrílica e colagens sobre acrílico espelhada
100 x 100 cm
Valor: R$ 18.000
Texto de obra:
A palavra “OR”, do hebraico significa luz. Nesse trabalho ela é representada como a luz que emanamos, através do reflexo do interlocutor no espelho de fundo; e a Luz que recebemos representada pelos tons amarelados e alaranjados da pintura.

Marcas, 2023
Acrílica sobre seda pura
46 x 46cm cada peça
Valor: R$11.000
Texto da obra:
Este trabalho propõe um jogo de palavras a partir da expressão “Tudo passa”. Por meio dele, busco representar a resiliência do povo judeu, que conta sua história por meio das marcas, sem se deixar definir por elas.

Michele Rosset (1973) é uma artista brasileira, que vive e trabalha em São Paulo. É formada em Economia pela Faculdade Mackenzie e em Artes Visuais na Escola Panamericana de Arte. Pesquisa as noções de espacialidade, tridimensionalidade e comunicação, no trânsito entre diferentes mídias como a colagem, a pintura, a escultura e o vídeo. Seus trabalhos são desenvolvidos a partir da observação do espaço real e focalizam em aspectos conceituais de distância, repetição e nas inúmeras possibilidades de composições resultantes da interação com o lugar. Realizou as exposições individuais: Pequeno Ato, Galeria Anita Schwartz, Rio de Janeiro (2023); A Extensão do Hiato, Belizário Galeria, São Paulo (2022); e Vestígios, Galeria Contempo, São Paulo (2017). E as coletivas: Entre Mulheres, Museu da Imigração, São Paulo; Espaço Tempo, Museu Histórico da Cidade, Rio de Janeiro; Strtr, Galpão Cru, São Paulo; Os Deuses de uma Árvore, Casa Vela, São Paulo; Mercúrio, Hermes Artes Visuais, São Paulo; Gesto, Figura, Forma, AM Galeria, São Paulo; Radar Coletiva, São Paulo (2025); Cama de Gato, Hermes Artes Visuais, Edifício Vera, São Paulo (2024); Toda Volta, Babel Galeria, São Paulo; O Que Ancora, Galeria Samba, Rio de Janeiro (2023); Romper a Superfície é Abrir um Rio para Dentro, Fonte, São Paulo; Saravá, Galeria Anita Schwartz, Rio de Janeiro; Para Mudar o Estado das Coisas, Fonte, São Paulo (2022); A6 Murals Worldwide, Holanda; Mostra Museu, São Paulo; 16º Salão de Arte de Guarulhos (2021); Salão de Arte Luiz Sacilotto, Santo André; Salão de Jataí, MAC-GO; e Ser, Habitar e Imaginar, Concrete Gallery, Miami (2018). Foi premiada em 2019 no 26º Salão de Artes Plásticas de Praia Grande, em 2018 na Bienal das Artes do Sesc DF e no 15º Salão Ubatuba de Artes Visuais.
“A partir da luz como elemento central, minha pesquisa artística propõe uma reflexão sobre a resiliência do povo judeu, onde a luz surge como força simbólica de continuidade, sobrevivência e transmissão entre gerações.”

Estrutura tensionada III, 2026
Aço inox, latão e tinta
70 x 55 x 25 cm
Edição de 12 + PA
Valor: R$ 18.000
Texto da obra:
A escultura de parede em inox transforma a luz em matéria viva, refletindo o espaço e quem a observa. Sua superfície quase espelhada distorce imagens, abrindo múltiplas interpretações e perspectivas, como se cada olhar reinventasse a obra. O inox, ao mesmo tempo frio e luminoso, cria um diálogo entre presença e reflexão, entre o mundo exterior e a percepção interna, convidando o espectador a perceber que a realidade pode ser múltipla, mutável e profundamente pessoal.

A luz para Pinsk, 2026
Colagem de papel
27,5 × 19 cm (cada peça, políptico)
Valor: R$ 18.000
Texto da obra:
A colagem de folhas douradas sobre páginas que contam a história dos judeus de Pinsk, cidade histórica no sudoeste da Bielorrússia, captura luz e memória. No início, as folhas flutuam dispersas, como vidas fragmentadas pelo Holocausto; aos poucos, se entrelaçam, formando dois triângulos que se tornam a estrela de Davi. A obra revela a resiliência de um povo que, mesmo diante do exílio, encontrou novos caminhos e possibilidades pelo mundo, transformando dor em luz e lembrança em esperança.

Forma Casa #1 e #2, 2018-2024
Impressão em placa PS
83 x 65 cm (cada obra)
Valor: R$ 6.000 (cada obra)
Texto da obra:
Na fotografia da minha casa, a mancha triangular de luz solar atravessa a penumbra do ambiente, lembrando a trajetória do povo judeu. Assim como a luz rompe a escuridão, eles conseguiram atravessar tempos de sombra e perseguição, encontrando caminhos de sobrevivência, esperança e reconstrução. O triângulo de luz se torna símbolo de resiliência, mostrando que mesmo nas circunstâncias mais sombrias é possível alcançar a claridade, a liberdade e a continuidade da vida.
Audiodescrição:
Imagem em formato vertical, em preto e branco, mostrando um piso composto por placas retangulares de pedra ou concreto, organizadas em linhas horizontais. A superfície apresenta variações de textura e tonalidade, com áreas mais claras na parte superior e regiões mais escuras na parte inferior. Sobre esse piso, uma forma triangular de luz solar se destaca no centro da imagem. Esse triângulo claro atravessa diagonalmente a composição, contrastando com as áreas em sombra ao redor. A luz cria uma divisão marcada entre claro e escuro, formando um desenho geométrico preciso, enquanto as sombras ocupam grande parte da cena. Pequenos detalhes do chão, como irregularidades e marcas, são visíveis, reforçando a materialidade do espaço. A fotografia explora o contraste entre luz e sombra, utilizando a forma triangular como elemento central.

Sem título, 2025 (Série desenho-linha #01)
Linha sobre papel
45 x 33 cm cada - políptico
Valor: R$ 12.000
Texto da obra:
O trabalho em folha cinza, bordado com linhas douradas formando um triângulo, evoca a força e a resiliência da comunidade judaica. A simplicidade da forma contrasta com a riqueza simbólica do fio dourado, que se entrelaça e se desdobra, lembrando como o povo judeu sobrevive e se reinventa mesmo diante de ódio e perseguição. O triângulo não é apenas figura geométrica, mas possibilidade infinita: cada ponto e cada dobra do bordado sugerem caminhos, conexões e continuidade, celebrando a capacidade de resistir, persistir e florescer em todas as circunstâncias.

Taly Cohen é uma artista visual brasileira baseada em São Paulo, formada em Artes Plásticas pela FAAP. Seu trabalho investiga temas como memória, proteção, identidade e transformação, muitas vezes a partir de narrativas pessoais e familiares. Em suas obras, utiliza materiais simbólicos como fitas, redes de proteção e estruturas de madeira, criando camadas que funcionam como metáforas visuais de cuidado, resiliência e fé. Seu trabalho já foi apresentado em exposições no Brasil e no exterior. Suas obras foram exibidas em galerias como Chase Contemporary (Nova York), Caelis Gallery (China), Artemisa Gallery (NY e Miami), Avant Gallery (Miami), Galeria Luis Maluf (São Paulo), Galpão 556 (São Paulo), Galeria Murilo Castro (Minas Gerais), Galeria Cosmos (Balneário Camboriú), entre outros. Hoje, integra coleções privadas no Brasil e no exterior.
“A partir da mãe judia, as janelas instauram um território íntimo onde fé, cultura e humor se entrelaçam como gesto de reconstrução.”

Oy vey! , 2026 (Série Idishemames)
Pintura acrílica, giz pastel e apliques de tecido sobre tela, instalada em janela antiga com moldura de madeira
65 x 95cm
Valor: R$ 27.000
Texto da obra:
Esta obra é feita de camadas físicas e emocionais. A expressão de susto exagerado é quase um idioma da idishe mame: Sentir tudo antes que aconteça, reagir antes mesmo de entender. Os olhos, pintados em fitas e sobrepostos ao rosto, deslocam o olhar. Eles não pertencem apenas à figura, atravessam a obra. São olhos que vigiam, que imaginam, que antecipam. O olhar da mãe judia raramente descansa; ele está sempre entre o cuidado e a preocupação. A antiga janela que sustenta a peça amplia essa tensão. Ela cria um limiar entre dentro e fora: o interior da casa, onde mora o amor e o cuidado, e o mundo lá fora, imprevisível.

Alegria que não cabe, 2026 (Série Idishemames)
Técnica mista, impressão em canvas recortada e instalada em camadas sobre chassi de madeira, com estrutura e moldura em acrílico.
95 × 95 cm
Valor: R$ 28.000
Texto de obra:
Ela ri com o corpo inteiro. Um riso largo, impossível de conter, atravessando redes, camadas e molduras. Na tradição da idishe mame, a emoção nunca é pequena: amor demais, cuidado demais, alegria demais. Aqui, a gargalhada se expande até tocar os limites da obra, como se a própria estrutura tentasse segurar aquilo que insiste em transbordar. Porque há sentimentos que não se acomodam. Eles crescem, ocupam espaço e, quando menos se espera, explodem em alegria.

Amor Fator 50, 2026 (Série Idishemames)
Pintura acrílica, giz pastel e gesso sobre tela
100 x 100 cm
Valor: R$ 31.000
Texto de obra:
Ela espalha protetor como quem espalha destino. Não porque o sol esteja forte, mas porque quem ama demais nunca confia completamente no mundo. Entre uma gargalhada e outra, ela cobre o rosto como se pudesse alcançar também aqueles que não estão ali: filhos, amores, pessoas que ela guarda dentro do peito. A janela observa em silêncio. Há gerações, é dali que as mães olham para fora: para vigiar, imaginar, antecipar perigos que talvez nem existam. Porque o amor da idishe mame funciona assim: um gesto simples que tenta proteger o mundo inteiro. E mesmo sabendo que isso é impossível, ela sempre acrescenta mais uma camada.
Audiodescrição:
Imagem em formato quadrado mostrando uma obra inserida em uma moldura de madeira escura, que remete a uma janela. A estrutura envolve o retrato de uma mulher posicionada de frente, ocupando quase todo o espaço interno. A mulher aparenta ser de meia-idade, com pele clara e cabelos castanhos, curtos e levemente ondulados, que se abrem para os lados como se estivessem em movimento. Ela usa uma faixa branca na cabeça. Seu rosto está coberto parcialmente por creme branco, espalhado de forma irregular pelo nariz, bochechas e testa.
Com a mão esquerda, ela aplica o produto no rosto, enquanto com a mão direita segura um frasco azul de protetor solar. No rótulo do frasco, lê-se “SUNBLOCK” e “SPF 50”, com um símbolo de sol. A expressão da mulher é de alegria intensa: olhos abertos, sorriso largo e boca entreaberta, como em uma risada. A pintura apresenta traços detalhados no rosto e nas mãos, evidenciando rugas, textura da pele e gestos, enquanto o fundo é neutro e claro.

Eu sou você amanhã, 2026
Técnica mista, impressão em canvas recortada e instalada em camadas sobre chassi de madeira, com estrutura e moldura em acrílico.
52 × 52 cm
Valor: R$ 15.000
Texto da obra:
Nesta obra, a artista apresenta a figura da idishe mame, aquela mãe ou avó que cuida de todos, organiza o mundo ao redor e parece carregar a responsabilidade silenciosa de proteger quem ama. A rede e a estrutura evocam esse gesto de cuidado, lembrando as redes de proteção das janelas urbanas, símbolos de segurança, vigilância e afeto. Mas há algo que escapa dessa imagem de controle. A bola de chiclete rosa, soprada com leve irreverência, revela outra camada da personagem: antes de ser a guardiã da ordem, ela também já foi a jovem curiosa, indomável e cheia de travessuras. O retrato fragmentado em tiras sugere justamente essa sobreposição de tempos e identidades. “Eu Sou Você Amanhã” é um lembrete delicado de continuidade. A figura parece olhar para quem observa e dizer, com humor e cumplicidade, que dentro de toda autoridade ainda vive a memória da própria juventude e que, no fundo, todos caminhamos lentamente para nos tornar aquilo que um dia observamos de fora.

Livre demais para caber, 2026 (Série Idishemames)
Técnica mista, impressão em canvas recortada e instalada em camadas sobre chassi de madeira, com estrutura e moldura em acrílico.
52 × 52 cm
Valor: R$ 15.000
Texto da obra:
Há uma liberdade que chega tarde, mas chega inteira.
Sem pedir licença, sem negociar espaço.
Esse corpo já foi cobrado, moldado, controlado.
Hoje, ele é vivido.
Com rugas, com marcas, com história e, finalmente, satisfeito.
A idishemame sempre soube: cuidar do outro nunca excluiu o prazer de existir.
Ela insiste, oferece, exagera e quando pode, se permite.
Na série Janelas, ela aparece entre frestas, mas não está presa.
Está transbordando.
Porque há um momento em que já não é mais sobre caber, nem sobre agradar, nem sobre corrigir o corpo.
É sobre viver a melhor parte.
E morder a vida como ela é.

Texto da obra:
Essa idishemame veste a camisa: do time, do filho, da vida. Ela não assiste ao jogo - atravessa cada lance com o corpo inteiro. Vibra, sofre, reza, tenta controlar o incontrolável. Porque, para ela, nunca foi só futebol.
Entre as redes e os fragmentos, existe uma tensão constante entre proteção e entrega. Como nas janelas, observa e vigia, mas também participa, sempre um passo dentro, outro fora, tentando garantir que tudo fique bem.
Seu sorriso carrega o tempo e uma leve ironia: ela sabe que não pode entrar em campo, mas, de alguma forma, sente que nunca saiu de lá.
No fundo, a torcida é a forma que encontrou de continuar cuidando. Porque, quando é filho, não há distância segura.

Anna Guerra, 55, é uma artista visual pernambucana transitando entre pintura, bordado e objeto têxtil, encantada pelas emoções que os processos despertam - superfícies que variam de lisas a ásperas, revelam a memória do corpo e do tempo. Trabalha com resíduos e materiais diversos e transforma o que sobra em pensamento visual. O acesso ao resíduo têxtil do tricô ampliou seu território poético. Dali nasceram as bolas de trapo, que evoluíram em esculturas-corpo, manifestações de proteção, fé e reconstrução. A chita, o tricô, a madeira, o metal e a cera de abelha se unem em camadas de memória e gesto. Sua pesquisa reflete sobre o fazer manual como resistência e a matéria como extensão da experiência humana. A artista investiga a harmonia entre dureza e suavidade, entre o erudito e o popular, e celebra a cultura popular brasileira do fazer artesanal. Em cada obra, busca revelar a beleza e a resistência contidas na fibra do tempo.

Oração silenciosa, 2026
Resíduos têxteis, rendas, fios e cordas
200 x 90 cm (medidas aproximadas)
Valor: R$ 32.400
Texto da obra:
Suspensos juntos, como um corpo coletivo, esses ex votos evocam uma promessa silenciosa: o desejo de que as crianças possam caminhar no mundo sem o peso da guerra. A tradição do ex-voto nasce do gesto de pedir e agradecer. É um objeto de fé que materializa o desejo de cura. Aqui, esse gesto é deslocado para o campo da memória coletiva: mãos e pés de criança tornam-se símbolos de futuros possíveis. Feitos de resíduos têxteis — materiais que já tiveram outra vida — esses pequenos corpos carregam também a ideia de continuidade, reparação e reconstrução. O que seria descarte transforma-se em presença. No contexto de uma exposição que reflete sobre raízes judaicas, a obra dialoga com a longa história de um povo que atravessou perseguições, deslocamentos e rupturas, mas que também construiu uma cultura profundamente comprometida com a preservação da vida e da memória. Na tradição judaica, a memória não é apenas lembrança, é responsabilidade. Lembrar é agir para que a violência não se repita. Esses ex-votos não agradecem um milagre já acontecido. Eles são uma promessa dirigida ao futuro. Cada mão pede cuidado. Cada pé deseja caminhar.
E juntos formam uma oração silenciosa pela continuidade da vida.

Dudu Garcia (Rio de Janeiro, 1966) vive e trabalha no Rio de Janeiro. Desde o início dos anos 2000, desenvolve uma pesquisa pictórica centrada na relação entre tempo, matéria e memória. Utiliza materiais orgânicos e industriais sobre suportes têxteis, explorando processos de desgaste, acúmulo e erosão. Sua obra investiga a ação do tempo como linguagem visual. Participou de exposições no Brasil e no exterior e possui obras em acervos públicos e privados.

“Lembra?”, 2026
Materiais orgânicos, óleo e verniz sobre canvas
90 x 90 cm
Valor: R$ 36.000
Texto da obra:
A obra trata a memória como responsabilidade e expressa a admiração do artista pelo judaísmo como tradição que sustenta a pergunta.

Erika Malzoni é artista visual, vive e trabalha em São Paulo. Sua prática se constrói a partir de materiais e gestos do cotidiano, explorando noções de repetição, ritual, dualidade e convivência. Por meio de instalações, objetos e situações, seu trabalho investiga o comum como espaço de atenção, presença e relação, mantendo tensões abertas sem buscar resolvê-las.
“O que me atravessa no judaísmo são os rituais, a simplicidade e a ideia de igualdade, mas sobretudo a convivência constante entre opostos - luz e sombra, presença e ausência, dizer e calar - sem uma hierarquia fixa ou uma síntese apaziguadora. Essa noção de dualidade dialoga diretamente com meu trabalho, que parte do gesto simples e do cotidiano para sustentar tensões em aberto. Não me interessa resolver contradições, mas criar espaços onde elas possam coexistir e ser percebidas.”

Eu não sou diferente de você / eu sou diferente de você 2018 / 2019 / configuração 2026 Quimono bordado com as frases “eu sou diferente de você” / “eu não sou diferente de você”, estrutura de cabides plásticos unidos por lacres plásticos.
45 x 250 cm
Valor: R$ 19.800
Texto da obra:
O quimono bordado com as frases “eu sou diferente de você” e “eu não sou diferente de você” é apresentado suspenso em uma estrutura formada por cabides plásticos conectados entre si por lacres. A estrutura fez parte da instalação Insustentáveis (2019), apresentada na exposição individual Expressura na Galeria Luciana Brito. Nesta montagem, as duas obras são reunidas em uma nova configuração especialmente concebida para esta exposição. Associado ao corpo e à identidade, o quimono torna-se um lugar de tensão entre singularidade e pertencimento. As frases, quando lidas em conjunto, revelam o paradoxo que atravessa as relações humanas: somos inevitavelmente diferentes, mas compartilhamos uma condição comum.

Memorial, 2014
Etiqueta de papel com fio e fita adesiva
120 x 120 cm
Valor: R$ 22.000
Texto de obra:
A obra é composta por etiquetas de envio organizadas em sequências repetitivas que evocam calendários, arquivos ou sistemas de registro. Objetos originalmente destinados à identificação e circulação de mercadorias aparecem aqui esvaziados de informação, restando apenas sua estrutura material - o cartão, o furo e o fio. Sem nomes ou dados, cada etiqueta funciona como um marcador anônimo de presença e ausência. A repetição cria um campo silencioso de memória, sugerindo vidas não identificadas ou registros que permanecem sem história.

Laerte Gomes da Cunha Ramos (São Paulo, 1978) é um artista visual, curador e produtor cultural brasileiro. Sua produção artística transita entre escultura, instalação, desenho, cerâmica e projetos editoriais, investigando relações entre objeto, materialidade, arquitetura e cultura material. Formou-se em Artes Visuais pela Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), onde concluiu o bacharelado em 2001 e a licenciatura em 2002. Ao longo de sua carreira, Ramos participou de exposições individuais e coletivas no Brasil e no exterior, além de programas de residências artísticas internacionais. Além de sua atuação como artista, desenvolve projetos curatoriais e institucionais. É diretor e idealizador do projeto Acervo Rotativo, iniciativa dedicada à circulação e difusão de arte contemporânea. Também atua como produtor cultural na Studium Generale e como cofundador da marca ODKAZ Joias.

Matzáland, 2026
Cerâmica pintada a frio
Instalação 1,5 x 1,5 m
17 x 17 cm cada de 12
Valor: R$ 3.500 (cada peça)
Texto da obra:
Nesta instalação, composta por doze esculturas em cerâmica, Ramos parte de um gesto simples e carregado de significados: a reprodução de um pão matzá por meio da técnica de press moulding. O que inicialmente remete à lógica da cópia e da repetição, tão presente na indústria cerâmica, é aqui deslocado para um território simbólico, onde a materialidade do pão, alimento primordial e ritualístico, se transforma em objeto escultórico.
O processo de criação reforça essa sobreposição de sentidos. As peças são moldadas, queimadas em forno cerâmico e, em uma operação conceitual sutil, “assadas”, ecoando o próprio modo de preparo do pão original, tradicionalmente sem fermento. Esse detalhe, tratado com humor pelo artista, introduz uma camada de leveza que convive com a densidade simbólica da obra. A aplicação da pintura dourada intensifica essa dimensão.
Historicamente associada ao sagrado na história da arte, dos ícones bizantinos às ornamentações litúrgicas, o dourado aqui não apenas reveste, mas consagra. Ao recobrir o pão, alimento central em diversas tradições religiosas, o artista explicita sua condição simbólica: não mais objeto de consumo, mas de contemplação, memória e ritual.
O número de esculturas - doze - também não é arbitrário. Ele evoca sistemas de organização simbólica recorrentes na cultura ocidental e religiosa, sugerindo coletividade, partilha e pertencimento. Essa dimensão se concretiza plenamente no gesto final da obra: ao término da exposição, as esculturas serão doadas aos doze artistas participantes, deslocando o trabalho do espaço expositivo para o campo das relações. Assim, a obra não se encerra em sua materialidade. Ela se desdobra como ação, como circulação e como partilha, transformando o objeto em vínculo. Entre o sagrado e o cotidiano, o industrial e o artesanal, o humor e a reverência, Laerte Ramos constrói uma instalação que convida à reflexão sobre os modos como atribuímos valor, memória e sentido às coisas mais simples.


Artista visual que trabalha com ênfase na pintura, mestre em Têxtil e Moda pela EACH-USP. Sua pesquisa: O cinema americano das primeiras décadas do século XX e construção de estereótipos femininos: algumas análises. A pesquisa pictórica, desde a pandemia, tem se concentrado na arqueologia dos objetos ordinários do doméstico. As coletas passam por objetos da memória, utilitários e vestíveis para performar em suas habilidades pictóricas, propondo-se desafios que sublimam em discursos, mas que emergem na entrega da pintura figurativa. As analogias do vestir-se de pintura encontram-se nos autorretratos em superfícies espelhadas, bem como nos objetos que se tornam vestuários. Na pesquisa artística, o vestuário na obra de arte como suporte para revelar a “roupa de artista” de sua produção. Traz a poética da vida real ordinária e, com ela, a simplicidade do que nos organiza dentro e fora de nossas privacidades.
“O que me inspira no judaísmo é a disposição em ser solidário. Vou trabalhar a solidariedade criando uma pintura de uma mesa posta. As tradições e os cuidados com as relações à mesa. Meu trabalho será uma oferenda de gratidão a todas as vezes que recebi o carinho de minhas amigas judias.”

Borboletas não voam mais, 2025
Óleo sobre painel têxtil
70 x 70 cm
Valor: R$ 28.000
Texto da obra:
O judaísmo é uma religião de tradições muito fortes, em que cultura e religião se entrelaçam. Para mim, esses conceitos remetem a uma mesa posta que se relaciona com a família, com os cuidados, com o afeto e com os costumes milenares que atravessaram a história e se preservam até os dias de hoje. Eu vejo a mesa como uma “costura” de compartilhamento não só da fé, mas do cuidado familiar.

Lucila Sartori é artista visual com trajetória iniciada nos anos 1960. Realizou formação continuada em desenho, gravura e história da arte, com passagem pela FAAP, Pinacoteca do Estado e Sesc Pompeia, onde aprofundou a prática da gravura em metal sob orientação de Evandro Jardim. Em 1991, realizou pesquisa sobre iluminuras dos séculos XIV e XV na Biblioteca Apostólica Vaticana. Desde 2004, dedica-se também à cerâmica. Participou de salões e mostras no Brasil e no exterior, com premiações no Salão Bunkyo e em bienais internacionais de gravura. Desenvolve a série Exercícios para a apreensão de um poema, composta por gravuras em metal inspiradas no texto bíblico Cântico dos Cânticos, investigando tradições religiosas e o amor como metáfora presente na tradição judaica.

Exercícios para a apreensão de um poema, 2020 (Série Cântico dos Cânticos)
Gravura em metal: água-tinta, água-forte e lavis
62 x 43cm
Valor: R$ 4.500
Texto de obra:
O trabalho que agora exponho são estampas que fazem parte de uma série de gravuras em metal que tenho desenvolvido há mais de 30 anos. Chamei essa série de Exercícios para a apreensão de um poema. São imagens evocadas pela leitura e pelos estudos que tenho feito, ao longo desse tempo, do texto bíblico Cântico dos Cânticos. Inúmeros estudiosos - rabinos que o incluíram no corpo de textos bíblicos, místicos cristãos, leigos, linguistas, botânicos, sociólogos, músicos, artistas plásticos, encantaram-se com esse poema e geraram uma quantidade extraordinária de interpretações. Essas imagens que ora apresento são ressonâncias desse corpo de conhecimentos a que tive acesso. As tradições religiosas são uma constante nos meus estudos, assim como o amor, que perpassa todas elas. E o Cântico é uma clara metáfora do amor em seus diferentes níveis na tradição judaica.