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25 de junho | 12:15

“Nos tempos atuais, o bordado virou uma terapia”, conta Manu Ebert em entrevista à Unibes Cultural

4 de junho | 10:15 - 25 de junho | 12:15

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Entre linhas e pontos, a jornalista Manu Ebert decidiu dedicar as horas de seus dias ao bordado.  O que era apenas um hobby, transformou-se em estudo, conhecimento e, há 4 anos, em profissão. Em entrevista à Unibes Cultural, Manu explica que a técnica ultrapassa os limites da decoração, abraça a história e a cultura de civilizações, e, ainda, alimenta a saúde de quem a pratica. Confira!

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UNIBES CULTURAL – Por que o bordado é considerável uma arte?
Manu Ebert – Na verdade, o bordado não começou como uma arte. Nossos ancestrais, os “Homens das Cavernas” iniciaram com o ‘ponto cruz’, por uma necessidade de fazer vestimenta e, depois, ele foi sendo tão desenvolvido e elaborado que virou adorno de vestuário. Acho que o Rei Henrique V ou VI usava em suas peças. A costura que surgiu do ponto cruz, o bordado, foi se tornando uma decoração, principalmente no vestuário e, com isso, surgiu uma variedade de opções. Diversos países têm seu próprio tipo de bordado que é uma arte.

Há trabalhos com ouro, com pedraria… o bordado foi se desenvolvendo e é um trabalho minucioso e bem bonito. É arte!

UNIBES CULTURAL – Sobre o bordado botânico, o que lhe inspirou a trabalhar com natureza morta? Como se deu a sua técnica nova?
Manu Ebert – Eu comecei a trabalhar com bordado botânico, porque sempre gostei. Eu tinha uma coleção de decalques – que eram adesivos que à base de água se colava em vidros. Aquilo era uma referência àqueles desenhos de ilustrações botânicas e eu achava muito bonito e decidi que, quando eu começasse a bordar, eu desenharia e depois bordaria isso!

A precisão do desenho botânico é muito interessante, pois cientistas, biólogos em grandes expedições há muitos anos, faziam esses registros da fauna e da flora.  Se você olha a precisão, ele tem uma natureza tão perfeita, mas ao mesmo tempo ela não é. Eu comecei a olhar para aquilo e pensei que seria muito bonito para se bordar.  Isso, porque a maioria das ilustrações botânicas são em preto e branco, então eu pensei “por que eu não trago um pouco de cor para isso?”. Um dia, eu olhando as flores secas em uma floricultura, tinham vários arranjos secos e pensei “o que eu posso fazer com isso?”. Então, resolvi fazer uma mistura, pois a natureza morta tem a sua beleza. Comecei a secar as flores, prensá-las e em um sanduíche de tecido translúcido, eu resolvi juntar as duas coisas. Eu trabalho com a flor seca e em cima eu faço uma intervenção com linhas coloridas, representando a natureza viva.

Por que a natureza morta tem que ser feia? Ela é murcha, mas tem a sua beleza. Nem sempre tem um cheiro agradável, mas tem uma beleza. A beleza da natureza viva, que vem do bordado, e a morta se casam e se falam muito bem.

UNIBES CULTURAL – O que fez você se dedicar a essa arte?
Manu Ebert – Eu sou jornalista formada, fui repórter, diretora de TV, trabalhei por nove anos em um canal grande, e depois de muitos anos fazendo isso, eu tive uma crise de pânico. Uma amiga me aconselhou a fazer um trabalho manual. Não sei por que eu escolhi o bordado. Fui fazer uma pesquisa e quando eu comecei a bordar, não tinha nenhuma habilidade, que é uma coisa que as pessoas hoje falam “Ah, mas eu não vou bordar porque eu não tenho habilidade”…Mentira! Porque é questão de prática: quanto mais você pratica, mais você adquire habilidade.

Com isso, comecei a pegar gosto e em um ano eu larguei a direção de um programa para ser professora de bordado. Eu vejo que a atividade trouxe muito mais benefícios para minha vida, eu me satisfaço e sinto que faz muito mais sentido para mim do que fazer o que eu fazia antes, como jornalista.

UNIBES CULTURAL – Quais são os benefícios de dedicar algumas horas para o bordado?
Manu Ebert – O bordado passou por várias fases na história da humanidade. Ele começou por uma necessidade, virou adorno – um trabalho requintado, super caríssimo–, virou parte decorativa… até uns 50 anos atrás ele chegou a ser matéria obrigatória em escolas. Ao longo desses últimos 40 anos ele se perdeu e nos últimos 5, o bordado voltou. Eu acredito que ele tenha voltado porque as pessoas vêm descobrindo que viver na correria que vivemos, com aquela teoria de que nunca temos tempo para nada, não está fazendo bem a nossa saúde. Então, eu tenho ouvido muitas pessoas se questionando por não terem um hobby, e é algo que eu venho percebendo muito… As pessoas não têm mais hobby e se um dia a gente parar de trabalhar vai sobrar o que se não tivermos um?!

E muitos psiquiatras e psicólogos encaminham, desde crianças até adultos, para fazer trabalhos manuais. Isso, porque desacelera batimentos cardíacos, para as crianças, principalmente, aumenta a concentração, para os idosos reduz tempo de Alzheimer, ajuda em alguns tipos de doenças… então, descobriram que passa a ser quase parte de um tratamento em forma de terapia.

Eu dou aula para várias pessoas, de várias idades e chegam alguns com uma história diferente, mas todo mundo está sempre buscando alguma coisa e o resultado é que depois as pessoas se encontram de várias maneiras.  Elas vão parar, relaxar e fazer algo que trará diferentes benefícios. Nos tempos atuais, o bordado virou uma terapia.

 

UNIBES CULTURAL – No dia 4 de junho você vai ministrar uma oficina de bordado. O que o aluno vai encontrar nas aulas? É preciso experiência prévia?
Manu Ebert – As pessoas vão descobrir no bordado um prazer que um trabalho manual traz, mas não só isso. Elas vão ver que quem começa a bordar, começa a se interessar por outras coisas, começam a pesquisar tanto em algo que elas gostariam de bordar e os retornos são vários! As voltas que a pessoa acaba dando depois que começam a bordar são muitas!

Qualquer pessoa pode bordar. Não tem pré-requisito. O bordar é exercitar, então quanto mais você se exercita, mais você vai conquistando as habilidades para fazê-lo. O meu trabalho de bordado botânico com certeza será aplicado no curso. A gente vai trabalhar com a história, tudo o que ele passou e o que temos, pois existem muitas histórias por trás do bordado pelo mundo. Como, por exemplo, a relação do bordado mexicano com o húngaro, o sashiko, que é um bordado japonês que veio na época da pobreza dos povos japoneses que precisavam remendar as suas roupas porque o algodão era caro e acabou virando uma arte pela forma como eles remendavam. A gente não pode deixar de falar disso.

Além do bordado botânico, a minha ideia é a de passar para as pessoas que essa arte que a gente faz tem uma série de histórias por trás, em suas culturas e em seus povoados de onde elas surgiram.

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A Oficina de Bordado, ministrada por Manu, acontece às terças-feiras, a partir de 4 de junho, das 10h15 às 12h15, na Unibes Cultural. Investimento de R$ R$ 250 (em até 3x).

Informações
4/06 a 25/06, terças-feiras
Das 10h15 às 12h15
Investimento: R$ 250 (em até 3x)

 

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