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26 de junho | 17:00

Em entrevista, a cineasta Christine Liu fala sobre o mercado audiovisual e os bastidores da produção de um filme

29 de maio | 14:30 - 26 de junho | 17:00

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Captar os mais plurais ângulos da vida para dar novas e diferentes narrativas à arte. Essa é uma das funções centrais do cinema. Em entrevista à Unibes Cultural, a cineasta Christine Liu fala sobre suas percepções sobre o mercado audiovisual e sobre a importância de conhecer o passo a passo da produção de um filme. Confira!

“Quando as pessoas entendem como é o processo de produção de um filme, sua percepção muda em relação à narrativa daquilo que ele acabou de assistir”

UNIBES CULTURAL – O que a levou a se interessar pelo meio cinematográfico e atuar como cineasta?

Christine Liu – Desde muito pequena, quando minha mãe me levou para ver o meu primeiro filme, talvez com uns 6 ou 7 anos, fiquei apaixonada por cinema. Antes dessa idade, vi muitos desenhos animados, mas ver um filme me fascinava, transportava- me para outro lugar, para outro mundo. Ir ao cinema era o melhor dos mundos e tudo que eu fazia, minhas brincadeiras, de alguma forma, giravam em torno do cinema e da representação. Desde então, comecei a colecionar fotos de atores, quando aprendi a ler, lia tudo que aparecia em minha frente. Preferia ver um filme a um desenho animado. Musicais, faroestes, comédias… À noite, ao invés de dormir, me escondia atrás de uma parede e ficava ali, agachada assistindo a filmes que meus pais estavam vendo. Mas não sabia como trabalhar no cinema, achava que Hollywood era o único lugar onde se faziam filmes e era muito longe para mim. Fazer cinema era distante. Escolhi ser arquiteta aos 10 anos. Já na faculdade, ia ao cinema 4 ou 5 dias na semana. E no curso de comunicação – uma das graduações que cursei–, pedi um estágio em uma produtora de filmes publicitários a um professor. Ele me ajudou e lá, vi que era possível trabalhar em cinema e nunca mais parei de tê-lo, de alguma forma, em minha vida.

UNIBES CULTURAL – Quais são as suas grandes referências?

Christine Liu – Para alguém que ama o cinema como eu, fica difícil ter algumas referências. Tudo é referência para mim de alguma forma. Mas os cineastas que me abriram os olhos para a arte de contar histórias, que me ensinaram a olhar as pessoas, as coisas, os lugares, os fatos, as vidas foram Hitchcock, Truffaut, Scorcese, Mizoguchi, Woody Allen, Wim Wenders, Werner Herzog, Coppola, Irmãos Dardennes, Irmãos Coen, Naomi Kawase, Jia Zhang Ke, Wong Kar-Wai, Alain Resnais, Ingmar Bergman, Patrice Chereau, Louis Malle, Patrice Lecomte, entre tantos.

Leia mais: Confira o que rola nos bastidores da produção de um filme no curso Atrás das Lentes

UNIBES CULTURAL – Conte um pouco para nós como surgiu a VegaFilmes.

Christine Liu – Eu dirigia vídeos para produtoras e um dia, fui chamada até uma empresa de TV a Cabo para dirigir um vídeo para eles. No fim da conversa, perguntei qual seria a produtora, e ali surgiu a oportunidade de iniciar a Vega Filmes. De lá para cá, produzi e dirigi vários vídeos, criei videoartes para diversos museus, vídeos para peças de teatro, documentários, dos quais meu longa-metragem foi selecionado para a Mostra Internacional de Cinema em São Paulo.

UNIBES CULTURAL – Como você enxerga o mercado audiovisual na atualidade?

Christine Liu – Estamos com uma ótima produção audiovisual no país e com cineastas maravilhosos, mitos reconhecidos internacionalmente. Vejo cada vez mais diversidade e universalidade nos temas abordados e isso fortalece a nossa identidade. As leis de incentivo tem papel importante nesse processo, pois permitem que a nossos profissionais não deixem a desejar para nenhum outro de qualquer outro país.

Ainda temos muito a aprender, a fazer e a contar. E o público, a cada novo filme, procura pelas salas de cinema, aprende sobre si e sobre o país com a nossa produção. Acho que o nosso cinema cresceu muito. Atualmente, não sei como ficará a produção audiovisual com as alterações que esse governo tem feito. Vamos apostar para que não haja retrocesso no que já conquistamos e que esse crescimento seja ainda maior.

“Sem arte e cultura não há identidade, não há reflexão, não há crescimento”

UNIBES CULTURAL – A indústria cinematográfica está passando por grandes dificuldades, devido aos cortes em incentivo do governo, o que prejudica a produção e a distribuição cinematográfica brasileira. Você está positiva ou negativa com o desenrolar desses acontecimentos?  Há esperança para cinema brasileiro?

Christine Liu – Essas alterações geram muita preocupação e principalmente muita insegurança quanto ao futuro do mercado audiovisual. O que o governo precisa ver é que a produção audiovisual gera muitos empregos e sem o incentivo, isso pode diminuir muito. Eu sou sempre positiva e otimista, sempre aposto que as coisas irão dar certo, que encontraremos os caminhos para continuar produzindo e crescendo. Mas acho que o governo precisa rever as mudanças e cortes e entender que a educação também passa pela arte e cultura. Sem arte e cultura não há identidade, não há reflexão, não há crescimento. E que a arte e cultura são parte da economia de um país, na geração de empregos.

UNIBES CULTURAL – Com o boom dos serviços de streaming, muita coisa mudou, principalmente, na forma como se produz trabalhos em audiovisual, em especial os filmes. O que você achou dessas transformações? Poderia dizer os pontos mais perceptíveis dessa mudança?

Christine Liu – Eu sou sempre receptiva às transformações. Eu vejo o streaming como uma extensão do processo de produção. Acho natural como as novas tecnologias estão invadindo as nossas vidas. Gosto da sala de cinema, gosto da experiência da sala escura, gosto de estar entre as pessoas e vivenciar com todos aquela experiência.

Acho que a maior mudança é como você assiste a um filme ou série, se em uma sala escura ou se no conforto do seu sofá. Acho que essa é a maior mudança, o tipo de experiência que cada mídia lhe traz.

UNIBES CULTURAL – A partir do dia 29 de maio você apresentará o curso Atrás das Lentes. O que o aluno pode esperar da iniciativa? Conte-nos um pouco sobre como se dará a abordagem.

Christine Liu – Quando pensei nesse curso, lembrei-me de minha curiosidade desde criança em saber como um filme era feito. E isso sempre esteve presente em minha vida. Nesse curso, o aluno saberá como um filme é feito, toda a complexidade desse  fazer, das escolhas que um criador deve fazer para contar a sua história. Percebo que quando as pessoas entendem como é o processo de produção de um filme, sua percepção muda em relação à narrativa daquilo que ele acabou de assistir. Seu pensar sobre aquele filme que acabou de ver tem mais texturas, os elementos do filme são mais valorizados e sua crítica mais construtiva. A ideia desse curso é revelar esse fazer, esse bastidor de uma produção e possibilitar que o aluno-espectador possa perceber as camadas narrativas de um filme através do roteiro, da fotografia, da direção, da escolha dos atores.

UNIBES CULTURAL – O que é essencial saber sobre o passo a passo da construção de um filme?

Christine Liu – O essencial no passo a passo da construção de um filme é ver como cada parte do processo se encaixa para construir a narrativa daquela história. Essa conversa entre os diversos elementos que compõe o filme. Ver que cada escolha determina um caminho ou outro. Perceber que em cada gênero cinematográfico há elementos específicos que o tornam um estilo, uma história e não outra. O passo a passo nos traz o entendimento da importância de cada elemento e escolha para a composição do todo.

A ideia desse curso é revelar esse fazer, esse bastidor de uma produção e possibilitar que o aluno-espectador possa perceber as camadas narrativas de um filme através do roteiro, da fotografia, da direção, da escolha dos atores.

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Aproveite e se inscreva no curso “Atrás das Lentes”, de Christine Liu, sobre os bastidores da produção de um filme, desde a ideia até o produto final, ideial para você aprender os princípios básicos da construção de um filme.  O workshop acontece em 29 de maio; 5, 12, 19 e 26 de junho, sempre às quartas-feiras, das 14h30 às 17h, na Unibes Cultural.

https://www.sympla.com.br/qualidade-e-curso-de-vida---usp-aberta-a-terceira-idade__519946

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